Museus – Dividir conhecimento e alegria a distância

O que fazer quando a interação, que a alma do seu negócio, está proibida? O Museu dos Brinquedos, em Belo Horizonte, é um lugar para trocas e brincadeiras em grupo, com um acervo de cinco mil brinquedos e diversos espaços lúdicos. Depois de 14 anos de funcionamento, o museu precisou se reinventar para manter o contato com as crianças, mesmo que virtualmente. O P7 Criativo conversou a diretora executiva do espaço, Tatiana de Azevedo Camargo.

Como era o funcionamento do museu antes da pandemia?

No Museu dos Brinquedos, você conhece o brinquedo e a brincadeira através do objeto patrimonial, o que mexe com suas lembranças e memórias afetivas. Trabalhamos o brincar coletivo entre as gerações. Não somos um espaço para crianças, mas para a infância. Estimulamos adultos, pais, avós a brincarem juntos, imaginar, executar e construir coisas mirabolantes e lembranças preciosas.

Nós costumamos atender ao público de forma aberta, de segunda a sábado, das 10h às 17h, com ou sem agendamento. Normalmente, recebemos uma média de 75 a 80 pessoas por dia, podendo chegar até 100.

Durante a semana havia as visitas escolares, principalmente de crianças das faixas entre sete e oito anos, pois o tema faz parte do conteúdo escolar. Também recebemos estudantes de Pedagogia e Educação Física, que fazem disciplinas sobre jogos colaborativos e brincadeiras em grupo. Aos sábados, o público é bem eclético e temos também os turistas.

Além da exposição de brinquedos, temos uma oficina onde os visitantes aprendem a construir brinquedos e o pátio onde acontecem as brincadeiras colaborativas e as pessoas podem andar de perna de pau, pular corda e muitas outras atividades. Sempre trabalhamos com uma temática, que é o fio condutor de uma programação extra para motivar o público e criar encantamento. Ao longo do ano, também incluímos atividades diferentes como apresentações musicais, contação de histórias, atividades circenses, lançamentos de livros etc.

Qual foi o impacto da pandemia?

O impacto imediato foi o fechamento total, sem nenhum atendimento. Tivemos que demitir profissionais de serviços gerais, estagiários, pessoas que cuidavam de patrocínios e do atendimento ao público. Foi um enxugamento obrigatório.

O outro movimento foi buscar uma forma de manter contato com nosso público cativo e estar presente na vida das pessoas. Foi assim que surgiu o “Museu em Casa”, um novo meio de continuar a honrar a missão de fortalecimento da infância, por meio de nosso canal do YouTube.

O isolamento e o distanciamento social mexeram com o estado emocional de todos nós e sabíamos que era possível ajudar de alguma forma a minimizar os efeitos negativos da pandemia. Apesar de não termos equipe, expertise, conhecimento tecnológico ou financiamento, tínhamos muita vontade. Então, foi um aprendizado. Nova linguagem, nova forma de se comunicar e superar algumas dificuldades, porque brincar em frente a uma câmera é muito diferente de lidar com crianças e adultos sorrindo pessoalmente. Começamos as transmissões no final de março. Eram propostas brincantes, ensinamentos de como construir brinquedos em casa e propostas de atividades em família. A produção era de quatro vídeos por semana, em média.

Também criamos um boletim semanal que disparamos para nossas listas de contatos via redes sociais e outras plataformas de compartilhamento. Fizemos pesquisas e criamos conteúdos interessantes, como o resgate das brincadeiras de cada região do Brasil. Ficou muito bacana o material e fez sucesso.

Criamos em paralelo outro projeto muito divertido, o “Viagem ao Espaço Sideral”, comandado pelo Capitão Júpiter. É uma live com datas marcadas que simulava viagens ao espaço sideral. Os encontros incluíram palhaçaria, magia, dicas de experimentações circenses em casa e oficinas com objetos caseiros.

Tudo transmitido virtualmente e o programa era enviado antecipadamente para as famílias arrumarem os ingredientes para as brincadeiras e o papelão para construir suas naves espaciais. Levamos vivências pessoais para o mundo virtual. Fizemos quatro edições, de julho a outubro.

E depois disso? O que houve?

Em outubro, houve o momento de reabertura e voltamos a funcionar bem a tempo do Dia das Crianças. A partir daí, abrimos apenas aos sábados e seguindo todos os protocolos de segurança. Essa retomada foi muito diferente e permitimos um número pequenos de pessoas nos ambientes.

Não voltamos a funcionar para ganhar dinheiro. Temos uma missão com a sociedade. A brincadeira é uma válvula de escape, que traz alegria, boas lembranças, sorrisos. Brincar é uma ferramenta de ressignificar de valores, de reaproximar pessoas e trocar afeto, mesmo com todas as restrições.

Quais as perspectivas para 2021?

Reabriremos em janeiro, às terças, quartas e quintas, inicialmente. O Museu é mantido por leis de incentivo, por meio de patrocínios e também tem a sua bilheteria. Apesar de uma equipe bem reduzida, estamos conseguindo seguir e os planos são esses até a volta às aulas. Queremos continuar a partilhar sorrisos e conhecimento.

Vivemos um momento complicado e fizemos o máximo possível para aprender a lidar com o novo cenário, sem negá-lo. Abrimos nossas cabeças para aprender a brincar a distância, partilhar e compartilhar. Agora vamos seguir em frente!

Compartilhe:
Share on facebook
Share on linkedin
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on google

Conteúdo Relacionado