Professor Marcelo Speziali contribui para a gestão da inovação tecnológica em entidades de ensino e pesquisa

Nesta edição da série Mineiros que Inovam, entrevistamos o professor Marcelo Gomes Speziali, do departamento de Química da Universidade Federal de Ouro Preto. Ele atua em diferentes pesquisas, inclusive no desenvolvimento de medicamentos inteligentes. Vamos destacar aqui como o trabalho dele contribui para o sucesso da inovação em diversas entidades de ensino.

O professor Speziali é especialista em patentes, proteção à propriedade intelectual e tem experiência na área de empreendedorismo tecnológico. Foi pesquisador visitante no MIT – Koch Institute for Integrative Cancer Research, doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre e bacharel em Química pela Universidade Federal de Minas Gerais. Foi coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica e Empreendedorismo e da Incubadora de Empresas da UFOP no período de 2014-2017.

Gestão Tecnológica

Além das pesquisas em que atua diretamente, Speziali possui um projeto para auxiliar outras instituições de ensino na gestão dos seus produtos de inovação tecnológica. Ele faz isso mapeando os setores tecnológicos estratégicos, por meio de informações de patentes. O professor e sua equipe utilizam um sistema que analisa, de uma só vez, grandes volumes de dados (entre 10 e 20 mil).

“Por meio dessa análise, conseguimos saber quem são os atores envolvidos no desenvolvimento de determinada tecnologia, onde eles estão trabalhando, quais são os mercados de interesse para aquela tecnologia, quem são os possíveis parceiros, quem são os possíveis clientes, como essa tecnologia se desenvolve ao longo do tempo e quais as perspectivas dela continuar a se desenvolver daquela forma ou sofrer alteração. Também é possível descobrir quando essa tecnologia vai atingir o estágio de maturidade para começar a entrar em declínio e ser substituída por uma outra opção nova. Com esse tipo de trabalho, a gente consegue ter uma visão do todo e ver as perspectivas do desenvolvimento tecnológico. O objetivo é ajudar aquelas pessoas que tomam as decisões de como vão investir tempo, dinheiro, ativos e pessoas em uma determinada área”, explica Marcelo.

O professor gosta de comparar esse processo com a Bolsa de Valores, pois ninguém vai investir seu dinheiro em ações das quais não tenha o menor conhecimento. “O que um analista faz normalmente é tentar prever, com os dados que ele possui da empresa e de sua série histórica de movimentos, como suas ações estarão daqui a algum tempo, para ele poder investir tempo e dinheiro, esperando que vá render dinheiro. Se você vai investir em tecnologia, não vale a pena gastar seu tempo, pessoas e dinheiro em uma tecnologia que já está já madura e nos estágios iniciais de declínio. Nós conseguimos verificar então quais são os ‘trends’, as tendências do desenvolvimento tecnológico futuro”, complementa Speziali.

O trabalho auxilia na gestão da inovação tecnológica nos ICTs (Institutos de Ciência e Tecnologia), laboratórios particulares, universidades públicas e privadas, institutos federais e Cefets. Segundo o professor, muito conhecimento é produzido dentro dessas instituições e o grande desafio é saber como licenciar essas tecnologias e colocá-las no mercado.

A pesquisa avalia o ciclo de vida de cada tecnologia, Traça um mapa com a análise do passado a partir de séries históricas, desenha a situação atual e apresenta o forecasting, que é a previsão do futuro. “Chamamos esse trabalho de patentometria, pois auxilia na gestão do desenvolvimento tecnológico e na transferência da tecnologia dessas instituições para o setor produtivo. É uma ferramenta para auxiliar a conexão entre quem está produzindo conhecimento e quem realmente vai desenvolver o conhecimento e transformá-lo em negócio”.

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