Produção Audiovisual – Novos formatos e soluções inovadoras

A produtora Daniella Fonseca atua no mercado audiovisual desde 2002. A empresa dela, Sim! Conteúdo Audiovisual, é responsável pelo material em vídeo de grandes empresas e eventos e fazia coberturas factuais, vídeos de treinamento e institucionais e também campanhas políticas. Porém, a maior parte do trabalho foi suspensa logo no início da pandemia e ela precisou apostar em novos formatos, que acabaram dando ótimos resultados.

P7 Criativo – Como foi a chegada da pandemia para vocês?

Daniella Fonseca – Paramos totalmente em março e, até meados de abril, ficamos um pouco perdidos, sem saber o que fazer. Foi quando percebemos que as coisas continuaram acontecendo no meio virtual, nos ambientes online. Chamei meus parceiros e disse que precisávamos estudar, entender, avaliar e ver como transformar o que fazíamos. Foi então que começamos a fazer lives, webinars e também a produzir material para as empresas em formatos remotos, não presenciais.

Mas essa adaptação só foi possível com a união de parceiros. Vimos quem entendia de OBS (plataforma de edição online), quem tinha experiência em realizar lives no Instagram, You Tube e Facebook e também quem conhecia as diferentes plataformas que surgiam. Houve uma grande colaboração para atender as novas demandas que foram surgindo.

O que de novo vocês ofereceram ao mercado?

Começamos a fazer então muitas lives, muitos debates online e também algumas ações corporativas. Tenho clientes que são lojas e começamos a fazer Live Shops no Instagram. É um formato novo em que as lojas vendem seus produtos durante a transmissão, concedem descontos para serem usadas nas compras online, mostram as coleções e dão detalhes de cada look. Esse formato agradou muito aos consumidores e começamos a fazer Live Shops praticamente quinzenais e a visualização é sempre gigantesca, com mais de mil pessoas acompanhando ao vivo. Esse formato fez bastante sucesso e reverte bem em vendas, mesmo depois das transmissões.

Produzimos também muitos shows. Os teatros fecharam, mas ainda conseguimos usar as suas estruturas para transmitir os espetáculos. Fizemos apresentações on line de diversos artistas. A união de parceiros permitiu que oferecêssemos preços bastante atrativos. Os orçamentos contemplavam todos os tamanhos de bandas, das maiores às mais simples. E continuamos estudando e avaliando as novidades, porque a cada dia aparece um programa novo ou um aplicativo que pode facilitar nosso trabalho.

Outra atividade que realizamos bastante foram os trabalhos de edição, tanto para youtubers, quanto professores e palestrantes online. Recebemos material bruto, muitas vezes gravados em celulares pessoais ou câmeras caseiras, e finalizamos, editamos e colocamos no ar. Foram diversos cursos online sobre arquitetura, costura, maquiagem e até mesmo medicina.

Uma novidade para nós foi a produção de podcasts. Como trabalhamos com audiovisual, nunca tínhamos trabalhado esse formato antes. Produzimos séries de podcasts para grandes clientes e descobrimos possibilidades que antes nem imaginávamos.

Sei por experiência própria que quem conseguiu muito trabalho foram aqueles que se adaptaram ao momento. Nunca tinha trabalhado tanto como nos últimos três meses do ano. A demanda foi muito alta. Mas sei que isso foi resultado de muita pesquisa, trabalho em conjunto, adaptação e oferta de novos produtos.

E quais as perspectivas para este ano de 2021?

Acho que o formato híbrido vai continuar. Vejo pelos festivais que já temos agendados. Eles vão continuar híbridos pois todos viram as vantagens de se atingir um público maior com menos custos. E outra vantagem é que o público virtual não atrapalha o presencial. Você pode fazer um show para um determinado número de pessoas e também transmitir pelo YouTube. É um caminho sem volta. Tudo será híbrido daqui para frente e acredito que o mercado continuará aquecido para essa questão das lives. Talvez em novos formatos, mas vai continuar.

Os festivais de cinema com os quais trabalhamos são um bom exemplo de como as exibições remotas foram bem-sucedidas e com certeza continuarão após a volta dos eventos presenciais. As visualizações dos filmes foram imensas. Definitivamente um festival somente presencial não atingiria tantas pessoas e isso se mostrou muito interessante e bastante democrático. Com certeza as edições deste ano continuarão com o formato remoto, que proporcionou muito mais acesso às produções.

No final do ano passado e início deste ano começamos também a fazer produções por conta da Lei Aldir Blanc, criada especialmente por conta da pandemia. Estamos tomados de projetos até fevereiro.

A principal lição que tiro dessa experiência é a união com os parceiros. Foi o que proporcionou, não só a nossa sobrevivência, mas uma alta produtividade. Foi possível oferecer tudo o que os clientes desejavam e ainda mais.

No início, todos ficaram perdidos e mesmo os clientes não sabiam o que fazer ou como fazer. Logo, eu tinha que ajudar, pensar e oferecer soluções para seus problemas e trazer novas ideias para que continuassem com seus negócios. Encontrar possibilidades que se encaixassem no perfil de cada um. Isso foi essencial e nossa alegria foi que conseguimos nos adaptar e atender a todos os pedidos, desde debates, shows, podcasts e festivais até as produções mais caseiras de cursos. E agora nossa meta é continuar criando.

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