P7 ENTREVISTA: HENRIQUE PORTUGAL

Conversamos com Henrique Portugal, tecladista do Skank, uma das bandas mais importantes e produtivas do Brasil. Ele fala sobre a trajetória empreendedora da banda e traz uma visão sobre o negócio da música nos tempos atuais.

* * *

Em que momento na sua trajetória como artista você se deu conta de que uma banda era também um negócio? Isso foi algo que aconteceu logo no começo ou levou um tempo?

O SKANK já começou pensando que seria uma empresa. Trabalhamos durante um ano, juntando grana, para gravar o nosso primeiro álbum.  Cada um da banda já tinha experiência em outra banda e já sabíamos o que não deveríamos fazer. Isto é, evitar erros que já foram cometidos.


O que mudou ao perceber com mais clareza a dimensão empresarial do trabalho artístico?

Sempre pensamos em viver de música e, com isto, aprendemos a  cuidar mais da gestão da banda. Isto envolve conhecer todos os detalhes e passos de cada área do  negócio, como: compor, produzir, mandar fabricar o CD, fazer divulgação, e por aqui vai.

Você tem formação em economia, certo? Esse conhecimento foi importante para você e para a banda no processo de profissionalização da carreira de vocês?

Com certeza foi importante e ainda é. Mas todos nós acabamos nos envolvendo em cada  detalhe e com o tempo fomos descobrindo as aptidões de cada um na parte gerencial.

Foi importante estudar e buscar novos conhecimentos para ter mais consciência e controle sobre os negócios da banda?

O estudo é um ato contínuo. Você precisa aprender sempre. O mundo é cada vez mais dinâmico. A indústria da música foi o primeiro segmento afetado pela digitalização das coisas.  Foi um susto muito grande que demorou mais de dez anos para voltar ao normal. Isso está acontecendo com outras áreas também. Então precisamos estar atentos às novidades que estão surgindo e às mudanças de usos e costumes que estão acontecendo.

Como você avalia as mudanças no mercado da música, desde as formas de consumir (com o streaming), até as tecnologias disponíveis para a produção e as formas de lidar com os consumidores?

A música está 99% digital. O streaming é a tecnologia a ser utilizada.  Com isso, não vamos possuir mais as músicas, teremos acesso a elas. Isso mudou a forma como se consome música e a relação das pessoas com os artistas que elas mais gostam.  O cenário atual é mais amplo, temos mais artistas, mais músicas deixando o usuário com mais opções. Mas no final de tudo o que vale é fazer belas canções. Isso nunca vai mudar.

Com a sua experiência, o que você aprendeu de mais importante sobre empreender na área cultural, e que pode compartilhar com quem está iniciando essa trajetória?

A área cultural tem que se relacionar mais com as pessoas que consomem sua arte e seus projetos. Sinto uma certa distância do que é criado para o que as pessoas querem.  Se você quer viver da sua arte, você tem que entender o que as pessoas necessitam. Precisamos proporcionar para a indústria criativa o mesmo ambiente que a indústria clássica tem.  Os artistas precisam estar mais bem preparados para fazer uma gestão eficiente do que eles estão criando. Se o artista não puder viver de sua própria arte quem perde não é só o artista, mas o mundo que fica menos interessante.

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