Eventos – Um jeito novo de pensar dentro da caixa

A empresária Samantha Cotrufo fundou a S4You Entretenimento em 2016, com foco na organização de eventos e ações promocionais. Desde que abriu as portas, optou por um modelo de negócio flexível, que se adaptava às necessidades dos clientes. Porém, o ano de 2020 exigiu dela ainda mais versatilidade e ela conta as mudanças que precisou fazer nesta segunda entrevista da série “Reinvenção”.

P7 Criativo – Como era a S4You antes da pandemia?

Samantha Cotrufo – A empresa trabalhava com três braços de atuação. O primeiro eram as ações promocionais, feitas com promotores, desde panfletagem, serviços de recepcionistas e ações de divulgação em feiras e eventos.

O segundo braço era o trabalho com buffets. Tenho equipes de cozinheiras, auxiliares de cozinha, garçons, garçonetes, hostess e toda equipe necessária, como segurança, por exemplo.

E o terceiro era a organização de eventos. Fazíamos casamentos, aniversários e formaturas. Além disso, havia os eventos ligados ao setor da Moda, que realiza lançamentos e oferece recepções para lojistas e consultores.

E o que houve com a chegada da pandemia?

Todos os eventos foram cancelados ou adiados, sem perspectivas de uma data definida, assim como as ações promocionais.

Em março, eu tinha três contratos de shopping fechados. Eram ações para a Páscoa e o Dia das Mães e eles foram cancelados.

O primeiro momento foi de desespero, mas logo vieram novas ideias, graças ao apoio do grupo de networking do qual faço parte, chamado Elo Feminino. Conversamos muito, trocamos ideias e elas me motivaram e reencontrar meu caminho. A minha adaptação veio de muita pesquisa.

Qual foi esse caminho?

A primeira ideia que tive foi a festa na caixa. Embalar um bolo e mini kits para comemorações intimistas, já que estávamos em isolamento social. Criei opções para uma, duas e quatro pessoas. E não queria começar de qualquer jeito, fiz um plano de marketing, com identidade visual e tudo mais.

Enquanto esse material não ficava pronto, eu criei uma espécie de empório gourmet por 30 dias, entre março e abril, para me rentabilizar. Vendi quitutes, pastéis de angu e outras guloseimas mineiras e coisas da roça, que consegui com os meus parceiros de eventos. Com isso, consegui investir na produção das caixas. Quando tudo ficou pronto, comecei a divulgar e fez sucesso.

As vendas dos kits festa com bolinho, docinhos e salgadinhos trouxe uma nova demanda por caixas de café da manhã, uma releitura das famosas cestas de café da manhã.

E esta transformação do seu negócio foi bem-sucedida ou houve percalços?

Esta nova frente de negócio já passou por três diferentes fases. O Dia das Mães foi um tremendo desafio. Me programei para vender 10 caixas e acabei vendendo 36. Foi uma loucura com muitas madrugadas em claro. Não quis repetir isso no Dia dos Namorados, mas vendi também um pouco mais do que o programado. No Dia dos Pais foram 32 caixas, mas, nessa altura, tudo já estava mais estruturado e deu certo no final.

Posso dizer que pesquisei bastante, captando ideias daqui e dali e misturando. Desde abril até agora, nós não paramos.

Com a reabertura do comércio, houve uma queda nos pedidos, mas não estacionamos, porque as pessoas ainda querem entregar carinho, afeto, aconchego. O mais interessante é que a esposa mandava para o marido e ele gostava tanto que encomendava para a esposa. E o filho já queria a próxima caixa. E assim foi acontecendo. Já entreguei caixas de comemoração e café da manhã para muitas famílias.

Tenho clientes que deram as minhas caixas de presente para todas as comemorações ou homenagens deste ano e tenho também um ‘clientinho’ comemorando todos os seus ‘mêsversários’. Agora ele completa 11 meses e, já estamos pensando em algo ainda mais especial para comemorar a festa de um aninho dele. Por conta disso, eu sempre tenho que pensar em algo novo e diferente para que os clientes sempre sejam surpreendidos. Não podem receber as mesmas caixas com os mesmos itens.

Vocês chegaram a realizar outro tipo de ação ou movimentar outro braço da empresa?

Sim. Mesmo com as restrições, fizemos animação de festa drive thru, com pessoas para animar quem passava pelo local. Os anfitriões ficaram na garagem, os carros entraram, deixaram presentes e pegaram lembrancinhas. Tudo feito no auge da pandemia.

Também fizemos ações promocionais de panfletagem, seguindo os protocolos de segurança.

Criamos ações para os showrooms de moda e, no lugar das mesas de café da manhã costumeiras, disponibilizamos kits individuais de café. A pessoa podia consumir no local ou levar para casa. Outra iniciativa foram os mimos gourmet. Produzimos vários pequenos brindes para que nossos clientes pudessem distribuir.

Eu levei as soluções para dentro das caixas.

E quais os planos da S4You para 2021?

Posso garantir que não iremos parar com o projeto das caixas. Realmente me redescobri nelas. Em 2021, teremos cardápio novo e uma verdadeira repaginada.

Vou criar algumas caixas bem específicas, inclusive uma tipo exportação. A ideia é que as pessoas que moram fora do país possam presentear os amigos e familiares aqui com cafés da manhã típicos, principalmente americanos.

Não descarto a ideia de que a empresa volte a trabalhar com os braços que tinha antes, mas acredito que as coisas ainda vão demorar um pouco para voltar ao normal. Hoje, prefiro me dedicar à realidade do momento e ir me adequando ao que for acontecer, conforme a necessidade surgir.

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