Estudo sobre a Indústria dos Jogos Digitais

O P7 Criativo realizou um estudo amplo sobre a indústria de jogos digitais, que é uma das mais lucrativas e inovadoras do mundo. O trabalho traz dados de Minas Gerais e também do mercado nacional e internacional, com o objetivo de reunir informações para embasar o crescimento do setor. Foram realizadas entrevistas com profissionais de destaque da área e aplicados questionários a diversos empreendedores mineiros.

Para compreender toda a cadeia de valor do setor de jogos digitais, foi identificado o nível de desenvolvimento de diferentes mercados e regiões, mapeadas as ações governamentais diretas e indiretas para a área, traçado o perfil das desenvolvedoras de games no Brasil e apontados os gargalos para o crescimento da indústria. 

São três os principais tipos de jogos digitais desenvolvidos no país: os jogos de entretenimento, os jogos sérios e os advergames. Enquanto os jogos de entretenimento são projetados para divertir, os jogos sérios e os advergames buscam resultados práticos. Quando o jogo faz parte de uma campanha publicitária para vender um produto ou serviço, ele é considerado um advergame. Já quando a ideia é treinar o jogador para alguma tarefa, ele é chamado jogo sério.

Os serious games abrangem os jogos desenvolvidos para treinamento em áreas como defesa, exploração científica, planejamento urbano, processos de gestão e política. Há ainda os jogos para a saúde, com objetivo de prevenção ou tratamento de condições físicas e os jogos educacionais para ensinar conteúdos escolares e habilidades específicas.

Fazem parte da cadeia produtiva dos jogos digitais de todos os tipos os fabricantes de plataformas, desenvolvedores, prestadores de serviços especializados, editoras (chamadas de publishers), distribuidoras e consumidores.

Minas Gerais é um dos estados brasileiros com mais negócios ligados à indústria de games, junto com Rio de Janeiro e São Paulo. Porém, São Paulo se destaca, abrigando mais desenvolvedoras do que o Rio de Janeiro e Minas Gerais juntos.

De acordo com os censos da IBJD (Indústria Brasileira de Jogos Digitais), realizados em 2014 e 2018, 72,8% das desenvolvedoras se localizam nas regiões Sul e Sudeste e houve um crescimento expressivo do número de desenvolvedoras formalizadas entre as duas pesquisas, dobrando o número de empresas do setor.

O segmento de games está em crescimento acelerado, movido em maior parte por empresas jovens de baixo faturamento. É composto, também, por várias associações regionais, sendo que oito delas foram fundadas entre 2014 e 2018.

Apesar de 95,5% das empresas atuarem com o desenvolvimento de jogos digitais, apenas 49,8% delas têm esta atividade como principal fonte de receita. 36,2% dos recursos humanos (RH) das empresas são os próprios sócios. Além disso, apenas 28% dos demais colaboradores é contratado sob o regime CLT, indicando estruturas pequenas e maleáveis.

Mundialmente, a indústria de games tem crescido de forma consistente e atingiu um faturamento de US$ 120 bilhões em 2019. Esse mercado, principalmente no segmento de consoles e PC, é dominado internacionalmente por grandes corporações, o que é uma barreira de entrada para os desenvolvedores menores. 

Como os desenvolvedores de games nacionais podem entrar no bilionário mercado de entretenimento mundial? Um bom caminho é o segmento de jogos para smartphones, em que as barreiras são menores para pequenos desenvolvedores. De acordo com a empresa Statista, a App Store – plataforma de aplicativos da Apple – ofereceu quase um milhão de aplicativos de jogos em 2020. Porém, os jogos mobile, apesar de poderem ser desenvolvidos a menor custo, demandam despesas cada vez mais significativas em marketing para conquistar jogadores, o que precisa ser considerado no orçamento.

O estudo sobre o setor de jogos realizado pelo P7 Criativo constatou que a participação industrial no Brasil ainda é incipiente, sendo composta – em maior parte – por micro e pequenas empresas.

No entanto, o país vive uma realidade dicotômica, em que a grande maioria das empresas são de pequeno porte e enfrentam dificuldades para se manterem operacionais, enquanto algumas atingem o reconhecimento internacional. É o caso da Wildlife, que já recebeu mais de US$ 250 milhões em investimentos e está avaliada em mais de US$ 3 bilhões, uma realidade muito distante da maioria das desenvolvedoras brasileiras. 

O setor de games em Minas Gerais abriga, atualmente, cerca de 40 empresas desenvolvedoras. Também fazem parte do ecossistema cinco cursos de nível superior na área de jogos digitais e instituições de formação profissional técnica. A Associação Mineira de Jogos Digitais (GAMinG), fundada em dezembro de 2016, atua na capacitação dessas empresas. Organiza eventos, como o Game Jams, e encontros de negócios para estimular a formação e o networking. Outro ator importante da indústria mineira é a Playbor, uma aceleradora de negócios que atua desde 2015, focada em jogos digitais.

Minas Gerais possui bons exemplos na área e as bases necessárias para o fortalecimento da indústria de games. Uma atuação conjunta e estratégica pode oferecer às empresas desenvolvedoras mineiras destaque nos mercados nacional e internacional.

Para ler o estudo completo clique no botão abaixo. 

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