Educação Científica para todas as idades – Quando a Cultura Encontra a Ciência

O P7 Criativo apresenta a história de mineiros que vêm se destacando em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e projetos de criatividade científica para melhorar a vida de toda a sociedade. São profissionais que levam a sério o desafio de propagação do conhecimento. Chamamos esta série de “Mineiros que Inovam” e vamos trazer, ao longo do tempo, bons exemplos e ótimos projetos. 

Os primeiros entrevistados são os pesquisadores e professores Juliane Nascimento Machado e Ewerton Ortiz Machado. Casados, com dois filhos e parceiros de trabalho, eles acabam de criar o projeto “Quando a Cultura encontra a Ciência” com objetivo de levar conhecimento científico às crianças de forma lúdica por meio de vídeos em um canal no YouTube: Quando a Cultura Encontra a Ciência 

Ewerton Ortiz Machado é biólogo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre e doutor em Zoologia pela Universidade de São Paulo (USP) e, atualmente, docente da Universidade Federal do Acre (UFAC). Seu foco é a divulgação voltada para o letramento científico da população em geral. Faz palestras sobre educação e formação para crianças.

Juliane A. Nascimento Machado é também pesquisadora e professora autônoma, bióloga pela Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (FACIMED) e mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Acre (UFAC). Pesquisa ecologia e comportamento animal e educação complementar. Atua em projetos de empoderamento feminino, maternagem consciente e divulgação científica.

P7 Criativo – Como surgiu a ideia desse projeto?

Ewerton Machado – A ideia de iniciar um projeto de educação e letramento científico para a população é relativamente antiga. Tenho notado uma dificuldade da população geral em entender o papel da ciência na sociedade e uma dificuldade das ações de divulgação científica em resolver esse problema. As pessoas gostam dos produtos da ciência, mas não têm noção de todo o caminho trilhado até chegar a eles. Dessa forma, desvalorizam o conhecimento científico ou até mesmo o rejeitam paradoxalmente.

Assim, fomos desenhando uma ideia que tornasse esse entendimento mais acessível e agradável, fugindo do tecnicismo que dificulta a conversa entre cientistas e sociedade. A inspiração do projeto surgiu a partir da metodologia educacional que usamos com nossos filhos, em que incentivamos as perguntas e dúvidas e buscamos respondê-las de maneira lúdica, mas compreensível para o universo infantil. Isso inspirou tanto o texto quanto a edição dos vídeos.

Qual foi o caminho percorrido para conseguir viabilizá-los?

O projeto “Quando a Cultura encontra a Ciência” é parte de uma proposta maior, que busca o letramento científico de todas as faixas etárias. O projeto estava somente no papel, até que a oportunidade de execução chegou por meio do edital da Lei Aldir Blanc para iniciativas culturais digitais.  

Isso foi um impulsionador importante, que permitiu nos equiparmos para produzir vídeos de qualidade. Apesar de muitas ideias, não foi fácil estabelecer um ponto de partida. Por incrível que pareça, o nosso filho de cinco anos ajudou muito a nortear o processo, dando vida a ele.

Quais são os seus objetivos com o projeto?

Este projeto especificamente busca incentivar as crianças a entenderem o mundo científico e a descobrir como o conhecimento é produzido, utilizando uma linguagem que traga a ciência para o mundo delas, não o inverso. Assim, buscamos contribuir para que as gerações futuras tenham um entendimento mais claro e amigável da ciência. Ambos temos experiência na docência e nos parece que esse entendimento não é suficiente no ensino formal.

Quantos episódios pretendem produzir? Serão ininterruptos ou separados em temporadas?

Inicialmente, a proposta é produzir uma temporada de cinco episódios e, depois seguir com outras temporadas. A primeira série de vídeos apresenta a forma científica de pensar e resolver os problemas. Posteriormente, pensamos em apresentar um pouco de cada pedaço do universo científico.

De onde surgem os temas para os episódios e como vocês fazem as pesquisas?

As ideias para os episódios surgiram das dúvidas e curiosidades dos nossos filhos e dos filhos de amigos. Entretanto, passam por uma longa discussão pedagógica para estabelecer uma sequência lógica para alcançar os objetivos, bebendo diretamente da fonte de nossa experiência como professores. Juliane atuou muito como professora de ensino fundamental e médio e eu, em inúmeras ações e palestras para os pequenos. Isso foi fundamental para estabelecer tanto as ideias, como a forma de apresentá-las.

Quem foi a inspiração para o personagem animado ‘Ari’ e os demais personagens?

O Ari foi inspirado no nosso filho mais velho (com cinco anos). A curiosidade dele foi essencial para determinar a personalidade do Ari. O pai e o cientista foram inconscientemente inspirados em mim e a narradora é indistinguível do papel de mãe da Juliane contando uma história.

Vocês já apresentaram o piloto “Como os cientistas (e as crianças) descobrem as coisas?”; qual o tema do próximo episódio e quando ele sairá?
O próximo episódio irá brincar com a ideia do papel da imaginação na construção do conhecimento. Em outras palavras, como elementos como brincadeiras de imaginar e ficção científica têm um papel importante para pensar de forma inovadora, na construção de propostas inéditas e na resolução de problemas dentro e fora do universo científico. Deve ficar pronto muito em breve. Se quiser, assista ao episódio piloto: https://www.youtube.com/watch?v=XWUn0UUZlTA&feature=youtu.be 

A duração é sempre em torno de 10 minutos ou vai variar de acordo com cada tema?

A primeira temporada manterá essa estrutura de 10 minutos, pois chegamos à conclusão que é o tempo ideal para uma criança assistir descompromissadamente ao episódio (e repetir à exaustão, como quem já é pai e mãe bem sabe). Talvez em episódios especiais, nas temporadas subsequentes, possamos ter durações diferentes, mas isso ainda não está definido e depende de possíveis parcerias futuras.

Os futuros episódios terão convidados especiais?

Certamente. Essa é a principal ideia para a segunda temporada. A primeira temporada tem uma sequência construtiva, então optamos por manter a mesma estrutura. A ideia é que o projeto cresça e, se tudo der certo, interaja com outras iniciativas e parcerias.

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