Conheça os consumidores do futuro

A Worth Global Style Network (WGSN), empresa especializada em tendências de consumo, identificou sentimentos a serem levados em conta no planejamento de ações comerciais após a pandemia. Foram destacadas quatro emoções predominantes no cenário atual: o medo, a dessincronização social, a resiliência equitativa e o otimismo radical. A partir desses sentimentos, foi possível traçar três perfis dos consumidores que surgem nesse momento: os estabilizadores, os comunitários e os novos otimistas.

O primeiro dos sentimentos que deve ser considerado é o medo, que ataca pessoas de todas as idades. São muitas as suas causas, como as crises climáticas, as incertezas econômicas e, claro, a Covid-19. O receio das perdas, de não ser financeiramente suficiente ou de ver o colapso do meio ambiente tende a se fortalecer. Por isso, há espaço no mercado para produtos e serviços que acalmem a ansiedade do consumidor consciente.

A dessincronização social é o segundo sentimento detectado. Ela surgiu com o distanciamento provocado, principalmente, pelo trabalho remoto e pelas entregas realizadas por aplicativos. As pessoas continuam a fazer as mesmas coisas, mas agora separadas e em momentos diferentes. O tradicional horário comercial deu lugar a uma autonomia no gerenciamento da própria rotina e isso tem afetado muito a interação entre as pessoas.

Já o terceiro sentimento foi chamado de resiliência equitativa e é um desenvolvimento do conceito de resiliência, que trata da capacidade de se recobrar após um evento negativo. Esse sentimento é uma reação à chamada “positividade tóxica”, que se desenvolveu durante a pandemia entre pessoas que preferiram negar prejuízos, riscos e medos, em vez de enfrentar as perdas impostas. A tendência é que, até 2022, cresça o desejo de uma maior aceitação emocional, que permita sentir na pele todas as emoções, sejam elas boas ou ruins.

E, por fim, foi identificado o que se chamou de otimismo radical. Após a impressão de que 2020 foi um dos piores anos da humanidade, há um sentimento de transformar 2022 em uma grande compensação (em 2021, ainda estamos em fase de adaptação). Pois, ao olhar para trás, a sensação será de “imensa alegria e prazer”. Agora que entendemos os sentimentos, vamos aos perfis dos consumidores. Continue ligado!

Perfis dos consumidores do futuro

Conhecendo os sentimentos, fica mais fácil entender agora quem são os chamados consumidores do futuro. Há uma expectativa de um boom nas relações comerciais que se aproximem do consumidor final, no modelo D2C (Direct to Consumer). Quanto mais humanizado, confortável e sustentável for o processo de aquisição do produto ou serviço, melhor. Para decidir estratégias de venda e fortalecer o mercado pós-pandemia é preciso considerar esses novos perfis:

Os Estabilizadores – Esse grupo abrange especialmente os Millenials ou integrantes da Geração Y (1980-1996) e da Geração X (1965-1979), que se sentem pressionados pelo tempo, sobrecarregados e exaustos. Eles buscam aceitação, auto aperfeiçoamento e um estado zen. Estão cansados da otimização, do culto à produtividade e têm a estabilidade como prioridade.

Segundo a pesquisa, esses consumidores querem viver a vida como ela é e melhorar a si mesmos. Para conquistar essas pessoas é preciso focar em ações que envolvam simplicidade, com uma comunicação unificada e sem excessos e desenvolver produtos ou serviços que reduzam o estresse e a ansiedade. Um dos caminhos é a utilização de canais omnichannel, em um sistema só, garantindo a experiência de compra única.

O segundo perfil é o dos Comunitários. O consumidor comunitário é equilibrado, solidário e consciente. São pessoas focadas na carreira, trabalhadores que abandonaram os centros urbanos e possuem interesses na comunidade, sejam elas locais ou ambientais.

Esses consumidores acreditam que o excesso de trabalho é prejudicial para a saúde e para a mente; visam trazer para o mercado de trabalho políticas que priorizem os funcionários como seres humanos; defendem a separação entre a vida profissional e a vida pessoal e também os conceitos de economia circular, investindo em pequenos negócios locais.

Para conquistar esse público, pense que a revenda pode se tornar uma tendência. Reveja as sobras do seu estoque; priorize ações sustentáveis e com um viés comunitário; invista em parcerias estratégicas com comércios locais que se alinhem perfeitamente aos seus produtos ou serviços e também foque nas cidades do interior, pois seu público pode estar lá também.

O último perfil de consumidor apontado pela pesquisa da WGSN tem como características o ativismo e o multigerenciamento, além da hiperconexão. São os Novos Otimistas. Eles são aventureiros, alegres, confiantes, altamente sociáveis, práticos e possuem uma mentalidade coletiva. Estão grupos variados, que vão desde os Baby Boomers (1943-1964) à Geração Z (1997-2010), unidos pela ideia de construção da felicidade.

Para as pessoas desse perfil, o ativismo tem muita força para combater estereótipos e para conquistar representatividade para os mais diversos grupos. Estão em diferentes estágios da vida, têm entusiasmo, mas também sofrem de doenças como ansiedade e depressão.

Para esse público, as lojas físicas são uma perda de tempo. Preferem comércio virtual simplificado, com poucas etapas de vendas, produtos ou serviços de edição limitada, presentes e promoções.

Considerando os três perfis, há uma tendência de tornar o mundo um lugar mais justo e habitável. Diferentes gerações, de diferentes lugares e classes sociais, compartilham alguns desejos, como saúde mental, economia regional, proteção ambiental, participação política e diversidade. O importante, a partir de agora, não é onde cada pessoa está, mas quem cada pessoa é.

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