Adriana Faria

Como fortalecer a inovação nas universidades? Entrevista com a Profª. Drª. Adriana Faria – Diretora Executiva do CenTev/UFV

Vamos aprender hoje com o exemplo do Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional de Viçosa (CenTev/UFV). Para acelerar projetos inovadores, o CenTev/UFV oferece às empresas de base tecnológica, sobretudo startups e spin-offs, um ambiente que favorece o fortalecimento e ampliação de suas competências, tornando-as sustentáveis e competitivas.

Numa área de 217 hectares, sendo 170 de preservação permanente, o CenTev/UFV abriga 28 empresas. Nesse complexo, também estão instalados o Parque Tecnológico de Viçosa (tecnoPARQ), a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (IEBT), a Central das Empresas Juniores (CEMP) e o Núcleo de Desenvolvimento Social e Educacional (Nudese). Esse investimento acadêmico e tecnológico contribuiu para situar a Universidade Federal de Viçosa entre as 10 universidades mais empreendedoras do Brasil, no Ranking de Universidades Empreendedoras 2019, realizado pela Brasil Júnior.

Saiba mais detalhes dessa história em uma entrevista que fizemos com a Profª. Drª. Adriana Faria – Diretora Executiva do CenTev/UFV.

Bio: Adriana possui graduação em Engenharia Química, mestrado e doutorado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia. Realizou pós-doutorado na North Carolina State University (NC State), Raleigh (USA), na área de Gestão da Inovação. É professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV), no Departamento de Engenharia de Produção e Mecânica (DEP). É Diretora Executiva do Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional de Viçosa (CenTev/UFV), órgão que reúne a Incubadora de Empresas, o Parque Tecnológico de Viçosa (tecnoPARQ), a Central de Empresas Juniores e o Núcleo de Desenvolvimento Social (Nudese).


P7 Criativo: fale um pouco sobre a importância da universidade no fomento à inovação.

Adriana: A experiência internacional mostra que o caminho para a inovação tecnológica passa pela interação universidade-empresa-governo, modelo conhecido como Triple Helix. Se por um lado a inovação é produto no mercado, aquilo que efetivamente gera retorno financeiro, por definição, portanto, realizada pelas empresas, por outro lado, a matéria prima para a inovação é o conhecimento, daí a relevância estratégica das universidades nesse contexto. A universidade deve atuar como protagonista para a promoção da inovação tecnológica com vistas ao desenvolvimento sustentável e inclusão social, em conformidade com a sua missão e o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, que parte dessa premissa de interação.

As universidades precisam integrar os atores e estruturas organizacionais, a fim de constituir um ecossistema institucional de inovação e empreendedorismo robusto, que envolva as empresas, os empreendedores e, em especial, alunos e professores. No que diz respeito à inovação tecnológica o Brasil está muito aquém de suas possibilidades. Nos últimos anos, temos nos destacados como gerador de conhecimento científico, entretanto, este capital se reflete modestamente para a inovação e o desenvolvimento tecnológico. Assim, inovação, tecnologia de impacto e criação de novas empresas, como startups e spin-offs, são temas presentes na nossa universidade.

P7 Criativo: Em quais frentes o CenTev/UFV atua para acelerar projetos inovadores? 

Adriana: O Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional de Viçosa (CenTev) tem como principais objetivos: coordenar ações que possibilitem a participação da UFV no processo de desenvolvimento tecnológico nacional; identificar linhas de desenvolvimento, produtos e processos de modo a propiciar inovações, ampliando a interação entre o setor produtivo e a UFV; promover prospecção permanente das potencialidades tecnológicas da UFV, bem como contribuir para a passagem dessas tecnologias às empresas existentes ou a serem criadas em Viçosa; estabelecer convivência entre a UFV e o setor produtivo de modo a possibilitar o uso de equipamentos e a participação de seus pesquisadores, grupos de trabalho ou departamentos, no esforço de criação de empresas de alta tecnologia.

No contexto do desenvolvimento de novos negócios e aceleração, o CenTev oferece às empresas de base tecnológica, sobre tudo startups e spin-offs, um ambiente que favorece o fortalecimento e ampliação de suas competências, tornando-as sustentáveis e competitivas num cenário nacional e internacional. Uma empresa de base tecnológica é aquela que tem como estratégia competitiva o oferecimento de produtos e serviços, ou o estabelecimento de processos, com alto valor agregado, com base em conhecimento científico e tecnológico e na utilização de técnicas e métodos considerados inovadores. Os principais serviços, nesse contexto, são:

  • Orientação para a gestão do negócio e elaboração de Plano de Negócios e Planejamento Estratégico.
  • Apoio para a busca financiamentos (Editais de fomento e venture capital).
  • Auxílio no estabelecimento e elaboração de projetos de P,D&I.
  • Atividades de capacitação, treinamento e consultorias e assessorias específicas em tecnologias de gestão.
  • Networking com parceiros estratégicos.
  • Monitoramento do desempenho das empresas.
  • Orientação para o acesso aos pesquisadores e laboratórios da UFV.
  • Orientações sobre direitos de propriedade intelectual.
  • Estrutura física compartilhada de excelência (secretária, sala de reuniões e treinamento, auditórios e laboratórios de informática).
  • Compartilhamento de Laboratório de Fiso-Química e Biologia Molecular.

P7 Criativo: Um dos grandes desafios da inovação é a sobrevivência dos negócios após alguns anos, você comentou, inclusive, que o trabalho do CENTEV é a médio e longo prazo. Como manter a motivação dos empreendedores para esses projetos e garantir a sobrevivência desses negócios após alguns anos?

Adriana: O planejamento de ambientes de inovação só pode ser realizado a longo prazo. O processo de criação e desenvolvimento de novas empresas, sobretudo as deep tech, é desafiador, considerando o pipe line da inovação e a velocidade da difusão. Mais do que nunca, os diferenciais competitivos da empresa estão mais fortemente associados com a capacidade de gerar e transformar o conhecimento em valor, de forma constante. Permanecem as demandas do passado, como aumentar as receitas e diminuir os custos por meio de produtos de maior valor agregado, processos mais eficientes, estruturas organizacionais flexíveis, porém os modelos de negócio precisam ser mais ágeis e o relacionamento com o cliente é muito mais dinâmico.

Eu entendo que a questão central não é manter o empreendedor motivado, mas sim qualificá-lo para que empresa tenha clareza de suas necessidades futuras, conheça o seu mercado, os clientes, os concorrentes, as tendências tecnológicas e sociais, os marcos regulatórios – é preciso “prever” o futuro, é necessário ter inteligência competitiva. Empreendedores de sucesso devem estar dispostos a assumir riscos, mas isso não significa ser “suicida”.

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