Cervejaria artesanal – Crise e crescimento

A Cervejaria Brüder foi fundada, há quase dez anos, no Vale do Aço mineiro. Um dos três irmãos, sócios da empresa, Rildo Wagner Souza, contou ao P7 Criativo como esse ano desafiador levou a mudanças, que, não só ajudaram a atravessar o momento difícil, mas impulsionaram os negócios.

Assim como para outras cervejarias artesanais de Minas Gerais, o quadro inicial para 2020 não era muito promissor. Porém, várias surpresas surgiram no caminho…

P7 Criativo – Houve um baque no setor, mesmo antes da chegada da pandemia. O que aconteceu?

Rildo Wagner de Souza – O primeiro trimestre do ano, historicamente, é um período auspicioso para os fabricantes de cerveja no Brasil. Mas, em 2020, o ano já começou complicado quando os primeiros relatos de contaminação em um lote de uma reconhecida indústria se transformaram na principal notícia nacional. As investigações ainda buscavam esclarecer o que aconteceu, quanto veio outro golpe ainda mais forte, dessa vez não só para o setor de bebidas, mas para toda a população, a pandemia.

Nós imaginamos que o ano de 2020 seria, para nós, um ano de expansão e consolidação de crescimento. As cervejas da marca já tinham um consumo estável na região do Vale do Aço e vinham caindo no gosto dos consumidores em Belo Horizonte e outras cidades de Minas. Porém, com a queda do consumo de cervejas artesanais, o confinamento e as restrições de funcionamento a bares e restaurantes, chegamos a acumular uma queda de 40% no faturamento nos primeiros meses do ano.

E qual foi o caminho que vocês trilharam para superar esses problemas?

Já estávamos com dois lançamentos engatilhados, mas, diante do novo cenário, foi preciso colocar o pé no freio e contornar as adversidades antes de qualquer novo projeto mais ousado. Foi um período de muito aprendizado. Chegamos a paralisar a fábrica por 15 dias.

Porém, a equipe comercial percebeu que a demanda pelo produto não parou. Imediatamente acionamos uma “luz verde” para seguir trabalhando com a confiança de que com muito trabalho e inventividade conseguiríamos manter os negócios no positivo. O que percebemos daí em diante é que estávamos enfrentando um momento completamente diferente: era hora de tomadas de decisão mais rápidas e planejar ações a curto prazo.

Quais foram as principais decisões tomadas para superar esta crise?

O quadro geral do país trazia retração de consumo, perda de dois importantes canais de venda (bares/restaurantes e venda de chopp para eventos), escassez de matéria-prima e insumos, principalmente papelão para caixas e garrafas para embalagem, com aumento no custo de produção.

Mas esses desafios acabaram gerando oportunidades de superação e até crescimento. A equipe da fábrica foi criativa e inovadora e criou customizações em equipamentos para aumentar a produtividade e também aprimorou o controle na produção, praticamente eliminando perdas no processo e alcançando rendimentos melhores e maior litragem. Por conta de tudo isso, conseguimos não só aumentar a capacidade produtiva e evitar a falta do nosso produto, como continuar no mercado praticando o mesmo valor de venda, sem repassar aumento ao consumidor final.

Um grande motivo para comemorar foi que nenhum funcionário foi demitido da cervejaria, pelo contrário. Aumentamos o quadro de colaboradores em 15% e estamos fechando este ano com um crescimento de 45% em comparação com o ano anterior.

Quais as expectativas para 2021?

Ano que vem, a Brüder comemora 10 anos e temos muito a comemorar. Conseguimos abrir mercados, alcançar novos estados – como Rio de Janeiro e São Paulo – e marcar presença em diversos pontos de vendas em grandes redes de supermercados.

Consolidamos a nossa venda em âmbito nacional por meio do e-commerce próprio e investimos na profissionalização do serviço de logística, para assegurar entrega eficiente. Aceleramos em dois anos o nosso projeto de crescimento. Fomos colocados à prova e percebemos que, com criatividade e muito trabalho, podemos crescer com uma equipe enxuta e comprometida.

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